quarta-feira, 28 de maio de 2008

terça-feira, 27 de maio de 2008

Deadline Entrevista: "Urublues"


Nascida em meio à efervescência cultural do campus universitário de Goiabeiras, perto do mangue e fincada no conhecimento dado pela Ufes, a banda Urublues é a progenitora do movimento blues no Estado. Foi a primeira banda a usar o termo cunhado pelos negros do Mississippi em seu nome e o primeiro grupo capixaba a lançar um disco, em CD. As realizações da banda traduzem sua importância para a cena. Eles já dividiram palco com o Barão Vermelho, Lulu Santos e foram a única banda do Espírito Santo a tocar no Festival de Blues de Ouro Preto, em Minas Gerais.

O vocalista da Urublues Cauby Figueiredo fala casos sobre a banda, desde seu início, passagens marcantes por festivais e o que a banda espera fazer quando completar seus 20 anos, em 2008.

É muito comum que jovens universitários montem bandas no período de faculdade, mas vocês optaram pelo blues. Como foi a criação da Urublues?

Começamos na Ufes. Eu fazia jornalismo; Wagner, administração; Getúlio, direito; e Rodrigo, odontologia. Nos juntamos para participar do Festival de Alegre de 1988. Ainda não tínhamos nome, pegamos um poema de Adelino Pires chamado Urublues, fizemos a música, e tocamos no festival.

Na volta, gostamos do resultado, começamos a tocar nas festas da Ufes, batizamos a banda com o nome da poesia e até agora temos mais de 600 shows em nossa bagagem. Nunca paramos de tocar.Lançamos em 1992 o nosso primeiro disco, que também foi o primeiro CD feito por uma banda capixaba. Na época, o pessoal ouvia muito heavy metal, o movimento era forte, as bandas de rock tupiniquim e de lambada faziam muito sucesso. Eram os som que mais afetavam a galera.

Entramos na contra-mão de tudo isso. Na banda, todos gostavam de blues e resolvemos investir. Sabíamos que podíamos conquistar um público fazendo o nosso blues. A partir daí a banda começou a ser sinônimo de cult no meio acadêmico.

Em 1992, depois da gravação do disco, o Getulio e o Rodrigo saíram da banda e deram lugar para o Waninho, baterista, e o Dodó Lee Jones, nosso baixista. Estreamos essa formação no Rock'n'Lama, o festival de música que aconteceu na Rua da Lama, em Jardim da Penha.

Além do Waninho, vários bateristas passaram pela banda. Até hoje, quem já assumiu as baquetas do Urublues?

Realmente foram vários músicos que tocaram bateria no Urublues. Depois do Waninho, assumiram o posto os bateristas Sérgio Melo, Gabriel Ruy, Luiger Lima e Odair Stocco. Atualmente tocamos com o Heitor Nogueira.

A banda Urublues tem um currículo invejável. Depois de mais de 600 apresentações, o que você pode destacar de importante?

Em abril de 1995 fomos a única banda capixaba a tocar no Festival de Blues de Ouro Preto, em Minas Gerais. Esse evento é conhecido pela restrição a bandas de outros Estados. Os grupos brasileiros que se apresentam lá, normalmente, são mineiros e nós quebramos essa regra. Também tocamos na Bahia, na Praia de Cumuruxatiba, um verdadeiro paraíso.

Em 1996 abrimos o show do Barão Vermelho, na antiga boate Zoom, tocamos com Tribo de Jah e Celso Blues Boy. No Festival de Alegre tocamos também com o Lulu Santos e dessa vez aconteceu um dos momentos mais inusitados da carreira da Urublues.

No dia, como acontece de costume nos festivais, as bandas se atrasaram e o Lulu quis tocar antes de nós. Ficamos preocupados pois ele era a principal atração da noite e o fato de ele tocar antes poderia nos deixar sem público. Mas quando terminou o show, entrei no palco e chamei a atenção da platéia dizendo: Queria agradecer ao amigo Lulu Santos por abrir o show da Urublues. Obrigado, Lulu!

Fizemos um grande show, o Lulu Santo ficou revoltado, dizem que ele quis subir no palco para tirar satisfação comigo, mas não deixaram. Apesar da bela apresentação, nós nunca mais voltamos a tocar no Festival de Alegre.

Mais experientes e fora da Ufes vocês lançaram, em 2003, o disco Fluido. Como foi a produção do CD?

O nosso segundo disco demorou três anos para sair. Os integrantes já tinham formado família, os tempos eram outros. Quando nós íamos perder o benefício da lei, a produtora Denise Martins conseguiu emplacar nosso projeto. E o disco foi lançado em 2003, na extinta boate Stravaganza.

Em 2008 vocês completam 20 anos de estrada. O que pretendem fazer?

Quero fazer o show
Twenty Years After ao lado da banda Lordose pra Leão, que é parceira do Urublues desde os tempos de Ufes, realizar o sonho de tocar no Festival de Blues e Jazz de Rio das Ostras e gravar mais um CD.

Temos um desafio também. Nós sempre tivemos um trabalho autoral, mas agora queremos agregar a isso algumas músicas clássicas do blues. Sentimos a necessidade de tocar músicas de B. B. King, Stevie Ray Vaughn, Wilson Picket e muito outros.




MySpace Urublues
http://www.myspace.com/urubluesrock

domingo, 25 de maio de 2008

Deadline Recomenda: "Albert Collins"


Albert Collins (1º de outubro de 1932 – 24 de novembro de 1993) foi um músico, guitarrista e cantor de blues. Ele tinha muitos apelidos dados pelos admiradores, como "The Ice Man" ("Homem de Gelo") e "O Mestre da Telecaster".

Nascido em Leona, Texas, Collins formou sua primeira banda em 1952, e dois anos depois já era a atração principal em vários clubes de blues Houston, Texas. No final dos anos 50, ele escolheu a Fender Telecaster como seu equipamento, e desenvolveu um estilo único com afinações em tons menores, notas sustentadas e atacadas com os dedos da mão direita. Ele também freqüentemente usava um capotraste em sua guitarra, particularmente na 5a., 7a. e 9a. casa.


quarta-feira, 21 de maio de 2008

Rio das Ostras Jazz & Blues 2008


Festival reúne o melhor do jazz e do blues nacional e internacional. O balneário fluminense de Rio das Ostras sedia, entre 21 e 25 de maio, a sexta edição do Rio das Ostras Jazz & Blues. O evento, apontado pela revista especializada Down Beat como com o um dos melhores festivais do gênero no mundo, vai apresentar uma seleção de grandes intérpretes e instrumentistas. Os shows são gratuitos e acontecerão em três palcos - Praia da Tartaruga, Lagoa de Iriry e na Cidade do Jazz e do Blues, em Costazul.

O festival traz feras como John Mayall & The Bluesbreakers, John Scofield, James “Blood” Ulmer, com participação especial de Vernon Reid - líder do Living Color, Will Calhoun Band, Regina Carter, Russell Malone, Bonerama e The Godfathers of Groove (Masters of Groove) - formado por Reuben Wilson, Bernard "Pretty" Purdie e Grant Green Jr - com participação especial de Léo Gandelman. Entre as atrações nacionais, Blues Etílicos, Taryn Szpilman, Dudu Lima, com participação especial de Marcos Suzano e Jean-Pierre Zanella, Robson Fernandes Blues Band, Mauro Senise Quarteto e Delicatessen. A Dixie Square Jazz Band, liderada por Marcos Vital, percorrerá os principais pontos da cidade, executando standards do jazz de New Orleans.

O Rio das Ostras Jazz & Blues acontece desde 2003. Realizado pela Secretaria de Turismo, Indústria e Comércio da Prefeitura de Rio das Ostras, com produção de Stenio Mattos (Azul Produções), apresentou ao longo de suas cinco edições músicos como Stanley Jordan, Jane Monheit, John Scofield, Mike Stern, Richard Bona, James Carter, T.S. Monk, Robben Ford, Ravi Coltrane, Roy Rogers, Stefon Harris, Dom Salvador, Luciana Souza, Yamandú Costa, Romero Lubambo, Naná Vasconcellos, Sérgio Dias, Hamilton de Holanda, Celso Blues Boy, Léo Gandelman e Egberto Gismonti entre outros importantes artistas nacionais e internacionais.

Sua marca registrada é a mistura de estilos e tendências musicais, formando um painel do que há de mais importante no cenário do blues e do jazz no Brasil e no exterior. Em 2007, o festival reuniu na Cidade do Jazz e do Blues um público de aproximadamente 60 mil pessoas durante os cinco dias de evento. Para 2008, a expectativa é de 20 mil pessoas por dia.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Nasce o projeto Red Rooster


Nas margens do Rio Mississippi costuma-se dizer que o galo vermelho é a imagem da esperteza, da virilidade e da força. Este símbolo está na clássica música “Little Red Rooster”, eternizada pelo mestre do blues Howlin Wolf. E, com esse espírito, nasce a banda Red Rooster, o projeto que surgiu da divisão dos grupos Sunrise Blues e Hillbilly The Kid.

O Red Rooster é um quarteto formado por Rodrigo Rezende, o vovô (vocal e gaita); Rafael de Almeida, o boi (baixo); Rodolpho Santos (guitarra); e Rodrigo Pires, o china (bateria). A banda tem influências diversas, que passeiam por estilos como o blues, o hillbilly, o rockabilly e o jazz.



A idéia é fazer um som livre. Às vezes elétrico, outras, acústico. Com uma pegada forte de blues, a banda casa suas influências de maneira equilibrada, com a força e o feeling do som do Mississippi e com o despojamento do Rockabilly e do Country. O repertório é, basicamente, tudo ao mesmo tempo, agora. O som do Red Rooster é preto e é branco. Vermelho!

“I have a little red rooster, too lazy to crow for day.
I have a little red rooster, too lazy to crow for day.
Keep everything in the barnyard, upset in every way.”

...

Visite o blog da banda.
http://redroosterproject.blogspot.com/

domingo, 18 de maio de 2008

Deadline Recomenda: "Albert King"


(25 de Abril, 1923 – 21 de Dezembro, 1992)

Albert foi um influente guitarrista e cantor americano de blues. Um dos "Três Kings" da guitarra Blues (junto com B.B. King e Freddie King), ele possuía uma figura imponente de 1,93m de altura e 118 kg. Ele nasceu Albert Nelson em uma família humilde em Indianola, Mississipi, em uma plantação de algodão onde trabalhou na sua juventude. Uma de suas primeiras influências musicais foi o pai, Will Nelson, que tocava guitarra. Durante sua infância, ele também cantava gospel em uma igreja local. Albert começou sua carreira profissional em um grupo chamado In the Groove Boys, em Osceola, Arkansas.

Seu primeiro sucesso foi "I'm A Lonely Man", lançado em 1959. Entretanto, foi apenas em 1961 com o lançamento de "Don't Throw Your Love On Me So Strong" que seu nome tornou-se conhecido. Em 1966 King assinou contrato com a famosa gravadora Stax Records, e em 1967 lançou seu lendário álbum Born Under A Bad Sign. Em 1968 ele foi contratado por Bill Graham para abrir os shows de John Mayall e Jimi Hendrix no Fillmore West, em San Francisco. A platéia logo descobriu de onde vinha a pegada blues de Mayall e Hendrix.

Albert King era canhoto e tocava uma guitarra Gibson Flying V virada de forma que as cordas graves ficavam para baixo. King usava suas próprias afinações estranhas, sobre as quais ainda há controvérsia. Um guitarrista com estilo "menos é mais", King era conhecido por conseguir tirar de uma única nota mais sentimento do que a maioria dos guitarristas conseguia de 1000.

Albert King influenciou milhares de guitarristas, incluindo músicos famosos como Jimi Hendrix, Eric Clapton, Mike Bloomfield, Stevie Ray Vaughan e Gary Moore. O solo de Eric Clapton na música "Strange Brew" (Cream, 1968) é uma cópia nota-a-nota do solo de King na música "Pretty Woman".

Albert King morreu em 21 de Dezembro de 1992, vítima de um ataque cardíaco em Memphis, Tennessee.


quinta-feira, 15 de maio de 2008

Deadline Entrevista: Eugênio Goulart (Big Bat Blues Band)

O chapéu para a esmola, o blues na sacola e os pés no chão. Esta frase marca a música Velho Vagão e traduz, um pouco, o verdadeiro espírito blues. Com a idéia de pegar a estrada, ganhar experiência e preservar a sua raiz musical a Big Bat Blues Band é uma daquelas bandas que refletem o significado do próprio estilo. Quando se fala em blues no Espírito Santo, a primeira referência dos críticos é esta banda, que desde 1993 tem a tradição do gueto negro, representado em seu trabalho.

Atualmente a Big Bat Blues Band tem uma formação voltada para a guitarra e possui em seu escrete: Eugênio Goulart, Marcelo Maia, Cláudio França, Sandro Costa e Bruno Zanetti. O vocalista Eugênio concedeu a entrevista para o Blog Deadline7.

A história do blues é rodeada por lendas que envolvem animais, como a do Black Cat Bone e a do Little Red Roostes, mas de onde surgiu o nome Big Bat Blues Band?

O Cláudio tinha um Chevette preto, o primeiro carro que ele comprou, que lembrava um grande morcego. O Big Bat também lembra uma figura noturna, e o blues acontece à noite. Houve um período da banda em que queríamos mudar o nome do grupo, mas Big Bat ficou no inconsciente do público.


Como você e o Cláudio se conheceram e resolveram fazer blues?


Foi em 1991. Trabalhávamos na agência Criativa Propaganda e depois do serviço o Cláudio estacionava o Chevette, o Big Bat, na frente da minha casa para tocarmos o velho blues. Nessa época, o carro era uma figura importante para nós. Uma personalidade. Tanto é que deu nome à banda, futuramente.


Cantar coisas de 1920, 1930 ou 1940 era nossa paixão. Ninguém ouvia isso no rádio, mas, na noite, quando tocávamos, as pessoas viam aquilo e voltavam na outra semana, mesmo sem saber quem era Howlin' Wolf ou Elmore James. Vimos que podia dar certo. Nós gostávamos do som e estávamos agradando, então resolvemos continuar. Tínhamos autenticidade. O Fabinho, do Mahnimal, sempre fala que a Big Bat é uma banda que tem um estilo e é fiel a ele. Cantamos coisas de fora, mas fazemos do nosso jeito.

Em 2003 vocês gravaram o disco TODODIAÉDIADEBLUES e lançaram no ano de 2005. O que a formação que gravou o disco representa para a banda?

A formação com Zé Roberto, Eliezer, Douglas, Cláudio, Cezão e eu representa a concretização de um sonho, que foi a gravação do CD. Durante esse processo destaco a surpreendente bateria de Zé Roberto, que é de se louvar porque, em apenas cinco meses para pegar as músicas, ele não errou e conseguiu fazer um verdadeiro milagre. O Douglas foi responsável pelo arranjo das músicas do disco e o trabalho ficou muito bom. Falar do Cezar é redundante, ele é demais.


E o que você destaca como resultado desse produto?

Ver os jovens cantarem músicas como Black Jens é sensacional. Isso é uma grande recompensa.


A formação que gravou o disco pode ser considerada pertencente de uma fase clássica da banda?


Não sei dizer se foi uma formação clássica, mas ela atuou em uma época em que fizemos coisas importantes. Ganhamos público, gravamos um disco, vivemos o blues.


A Big Bat Blues Band tem um público cativo e durante os anos o número de pessoas que acompanham a banda aumentou, fato que levou a Big Bat para vários lugares. Quais são os melhores momentos que você pode destacar nesses 15 anos?


Nossa apresentação na Feira da Comunidade, na Praça do Papa, em 1998, foi uma das melhores apresentações da Big Bat Blues Band. Outro show que lembro com alegria foi o que fizemos com o gaitista carioca Jefferson Gonçalvez, em 2007. Nessa oportunidade acredito que houve um amadurecimento da banda nos quesitos postura de palco e produção de show. Nós sempre tivemos uma ótima postura nos shows, mas acho que agora conseguimos o profissionalismo.


Não posso deixar de comentar também dois dos melhores momentos da Big Bat, que foi quando nós nos apresentamos no Festival de Blues e Jazz de Rio das Ostras, no Rio de Janeiro. Tocamos em 2005 e 2006 e, no último ano, fizemos uma apresentação depois da Prado Blues Band. O Festival tem uma característica importante. Ele nos conecta com diversos bluesmen brasileiros e norte-americanos. Os contatos são ampliados.

Completando os momentos inesquecíveis, em 2005 fizemos um show no Teatro Universitário, na Ufes, para o lançamento do site da banda, em seguida o lançamento do disco, no Ilha Acústico. No ano de 2006 fomos tocar em Brasília e fizemos outro show no teatro, o Tributo ao Chuck Berry.

A Big Bat Blues Band passou por momentos incríveis e muito disso se deve às amizades que a banda formou durante os anos. O que estamos colhendo agora é fruto desses amigos que fizemos por causa do blues.

Como você analisa a Big Bat nessa nova formação, iniciada em 2007?


A Big Bat hoje está diferente. Demos mais “voz” às guitarras e aproveitamos o tempo para tirar músicas, escutar muito blues tradicional e coisas atuais. Pretendemos sair mais do Estado para tocar. Acho que essa postura de buscar novos palcos é necessária para a banda.